Crónica de Estremoz: Em tarde morna, triunfou João Telles no quarto da tarde!
Por ocasião da FIAPE, realizou-se ontem, 2 de maio, a tradicional corrida de toiros na bonita cidade de Estremoz. Cartel atrativo, a antever competição e um concurso de ganadarias com ferros de garantia. A juntar a isto, dois grupos de forcados alentejanos com história e uma sã rivalidade. O público preencheu cerca de dois terços da lotação do tauródromo, um pouco aquém do que o cartel merecia.
No geral, a corrida decorreu sempre em tom morno, com bons pormenores de todos os artistas, faltando por vezes algum “picante” aos toiros para que as lides pudessem romper e ecoar nas bancadas.
Em concurso de ganadarias lidaram-se – por ordem de lide – toiros das divisas Passanha, Fernandes de Castro, Veiga Teixeira, Pégoras, Passanha Sobral e Branco Núncio.
João Ribeiro Telles abriu praça lidando o exemplar da ganadaria Passanha. Toiro bem rematado. Nobre e pronto, não teve maldade, faltando-lhe entrega para transmitir. A lide de João Telles decorreu em tom regular, sem alardes de triunfo.
Foi diante do quarto da tarde, da ganadaria Pégoras, que protagonizou a lide da tarde. Este toiro encastado, pronto e a transmitir uma barbaridade no momento do ferro foi o colaborante ideal para o triunfo de João Telles. Bons recortes e uma série de ferros curtos soberbos marcaram esta que foi a atuação que mais chegou às bancadas e constituiu o que de melhor se viu no que concerne a toureio a cavalo nesta tarde.
A Francisco Palha tocou em primeiro lugar o exemplar da ganadaria Fernandes de Castro, de apresentação abaixo dos restantes. Aquando da sua entrada em praça o público protestou por o toiro claudicar dos quartos traseiros, mas a direção de corrida não atendeu à petição. Quanto ao comportamento foi pronto, mas faltou-lhe entrega para romper verdadeiramente. Francisco Palha tentou sempre acoplar-se à investida do toiro após o forte toque sofrido aquando do primeiro. A lide subiu de tom e deixou uma série de ferros de nota positiva, ainda assim sem romper em triunfo.
O segundo do seu lote pertencia à ganadaria Passanha Sobral. Não estava sobrado de força, teve mobilidade, mas não rompeu. Foi a menos com o decorrer da lide, “manseando” no final, complicando a tarefa a cavaleiro e forcados. Francisco Palha esteve valente e tentou sempre dar a volta ao oponente, deixando uma série de ferros de boa nota. Atuação a ir a muito mais, sendo o quarto ferro de excelente nota. No que fechou a atuação, o toiro, à semelhança do que já havia feito no anterior, fechou-se em tábuas. O cavaleiro porfiou para o tirar da crença natural. Aguentou uma barbaridade e quando o toiro arrancou deixou um dos ferros da tarde. Grande momento este!
Miguel Moura é um toureiro que arrisca em todas as tardes e deixa tudo de si em praça. Prova disso foram os dois ferros em sorte gaiola com que recebeu ambos os toiros do seu lote. Grandes momentos que foram, quiçá, os melhores desta sua passagem por Estremoz. Lidou em primeiro lugar o toiro Veiga Teixeira que transmitiu e teve mobilidade. O cavaleiro de Monforte realizou uma lide a mais, terminando com momentos de brega de bom nível e um bom ferro de palmo.
Fechou a tarde diante de um exemplar de Branco Núncio ao qual faltou romper. Foi nobre e teve mobilidade, mas acabou por ir a menos. Miguel Moura realizou uma lide regular, sendo o momento alto o grande ferro em sorte de gaiola com que abriu a atuação.
Tarde dura para os forcados, numa tarde de competição entre os Amadores de Montemor e Évora.
Por Montemor, abriu praça Miguel Cecílio que concretizou uma rija pega à primeira tentativa, contando com uma grande primeira ajuda e o grupo a ajudar coeso. Diante do terceiro, José Maria Marques não se conseguiu fechar na tentativa inicial. À segunda concretizou uma das pegas da corrida. Fechou a atuação dos Amadores de Montemor Manuel Carolino que só à terceira tentativa conseguiu contrariar os violentos derrotes do toiro de Passanha Sobral.
Por Évora Henrique Burguete viu o segundo da tarde partir pronto, fechou-se bem e concretizou uma boa pega na tentativa inicial. Martim Lobo contou também com a prontidão do Pégoras, suportou alguns derrotes, mas fiquei com a sensação de que poderá ter saído da cara do toiro junto às tábuas. Ainda assim, a pega foi dada como consumada ao primeiro intento. Fechou a tarde Afonso Santos que concretizou à terceira tentativa, depois de uma rija segunda tentativa.
No final da corrida, o júri constituído pelos senhores ganaderos, decidiu entregar o Troféu Apresentação à ganadaria Passanha e o Troféu Bravura à ganadaria Veiga Teixeira.
No início da corrida foi respeitado um minuto de silêncio em memória do ganadero Jorge Murça, proprietário da ganadaria Conde de Murça, recentemente falecido.
Dirigiu a corrida Maria Florindo, assessorada pelo médico-veterinário Dr. Carlos Santana. No cornetim esteve Nuno Massano.
Tiago Correia in Porta dos Sustos