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São Manços | Rouxinol Jr. e Rodrigo Grilo, nomes maiores de uma noite dura

São Manços é uma terra que respira afición por todos os cantos. As suas festas de agosto são a altura em que toda a vila dá asas à sua afición e a corrida de sábado é disso prova.

Após um ano sem corrida e festas, o regresso este ano à José Jacinto Branco em agosto estava carregado dum sentimento especial, numa noite que fica marcada por uma constante homenagem à memória do forcado Manuel Trindade.

A corrida foi antecedida por uma procissão à luz de velas, sendo transportada a imagem de São Manços pelos intervenientes da corrida.

Após as cortesias, foi entregue pela Banda Filarmónica da Casa do Povo de Nossa Senhora de Machede a partitura do pasodoble “Menino de ouro”, que seguidamente foi estreado.

Praça cheia e um ambiente característico de São Manços para receber uma corrida que acabou por ficar marcada pela dureza dos toiros de Prudêncio, a causar imensas dificuldades sobretudo aos forcados.

Curro bem-apresentado na generalidade. Quanto ao comportamento, não se entregaram nas lides, demonstrando maus instintos nas pegas. Deixou-se lidar, cumprindo, o primeiro da ordem, e acabou por vir a mais o quinto.

Os cavaleiros

Miguel Moura teve na sua primeira atuação os melhores momentos da sua passagem por São Manços. Bons momentos de brega ladeada aproveitando as investidas que o toiro proporcionou, conseguindo chegar ao público sobretudo no terceiro ferro, cravado na sequência dum bonito ladeio. Terminou com um ferro de palmo.

Diante do seu segundo, não teve matéria-prima para brilhar. Cravou a ferragem da ordem saldando-se como digna a sua prestação.

Luís Rouxinol Jr. esteve bem a dar a volta ao complicado primeiro do seu lote. Entendeu-o e cravou com acerto a ferragem, conseguindo alguns momentos de luzimento.

Diante do quinto, esteve em plano superior e foi autor da melhor lide da noite. Cravou uma excelente série de ferros, aguentando a investida do toiro, dando-lhe primazia da investida sempre que este correspondeu.

Destaque também para os remates das sortes, dobrando-se com o toiro num palmo de terreno.

Paco Velásquez mostrou intenções ao receber à porta gaiola o primeiro do seu lote, aguentando a investida do toiro que se adiantou à montada. Deu-lhe a volta numa lide de ofício.

Diante do último da noite, quiçá o mais descastado do curro de Prudêncio, o cavaleiro andou esforçado e conseguiu uma correta série de ferros, rematando a lide com um bom ferro de palmo.

As jaquetas de ramagens

No capítulo das jaquetas de ramagens, a noite foi bastante dura para ambos os grupos, havendo a destacar a garra e valentia de ambas as formações ao longo de toda a corrida.

Por Santarém, abriu praça António Queiroz e Melo que concretizou com mérito ao terceiro intento. Duarte Palha só ao sétimo intento conseguiu consumar a pega ao terceiro da ordem. Fechou a atuação da formação escalabitana Caetano Galhardo que consumou com eficácia à primeira tentativa.

Por São Manços, Rodrigo Grilo concretizou um enorme pegão que levantou a praça ao segundo toiro da ordem. Duarte Teles foi por quatro vezes à cara do terceiro da ordem, sendo sobrado por João Amador que consumou à sua primeira tentativa. Fechou a noite Martim Moreno que pegou à sexta tentativa o último da corrida.

O troféu em disputa para a melhor pega foi ganho por Rodrigo Grilo dos Amadores de São Manços, autor da pega ao segundo da ordem.

Uma noite de memória

Durante as cortesias, respeitou-se um minuto de silêncio em memória do forcado Luís Campino e do cavaleiro Frederico Cunha, recentemente falecidos.

Dirigiu a corrida António Santos, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Carlos Santana. No cornetim esteve Nuno Massano.

Tiago Correia

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