Palha e Passanha vencem no Domingo de Páscoa em São Manços
Ir aos toiros a São Manços é como que um ritual dos aficionados no Domingo de Páscoa. Uma
das datas mais tradicionais do calendário taurino português, numa das terras mais aficionadas do
Alentejo. Se há terra onde dá gosto ir aos toiros, essa terra é São Manços. As suas gentes respiram
a festa dos toiros e o dia de corrida é o dia da celebração desta afición desmedida.
Tarde quente, uma moldura humana bem preenchida e um cartel interessante foram os
ingredientes perfeitos para uma tarde de toiros que certamente não desiludiu quem se deslocou à
José Jacinto Branco.
Anunciava-se, como já tem sido tradição, um concurso de ganadarias, estando em disputa os
prémios de apresentação e bravura, sendo o júri composto pelos ganaderos.
Abriu praça Luís Rouxinol que teve por diante um exemplar de Veiga Teixeira. O toiro não foi
fácil, algo reservado e foi a menos, terminando a faena com ligeira crença nos terrenos dos curros.
O cavaleiro de Pegões desenvolveu uma lide correta, a ir a mais. Esteve bem a mexer no toiro e
cravou com correção a ferragem da ordem, terminando com um bom par de bandarilhas, sempre
do agrado do público.
O exemplar de Teixeira foi pegado por Duarte Telles, dos Amadores de São Manços, que esteve
bem e concretizou uma rija pega ao primeiro intento.
Da Herdade da Pina, nos campos de São Brás do Regedouro, veio o segundo da ordem, com o
ferro de Passanha. Bonito e bem armado, foi um dos toiros da corrida! Nobre, com classe nas
investidas e com prontidão, bom toiro! Coube em sorte a Francisco Palha que, a espaços, tirou
partido das boas investidas do Passanha. Arriscou, deu-lhe vantagens e quando os ferros
resultaram tiveram impacto na bancada. Foi o caso do segundo, um grande ferro, e do último.
Miguel Pargana dos Amadores de Alcochete concretizou uma boa pega ao primeiro intento.
Em terceiro lugar, António Ribeiro Telles filho deu lide ao toiro da ganadaria Palha. Foi
encastado, transmitiu e teve mobilidade, outro bom toiro! António Telles filho aproveitou-lhe as
condições e realizou a melhor lide da corrida. Iniciou a função com três corretos compridos e
partiu para uma série de curtos de nota elevadíssima, entrando nos terrenos do toiro e cravando
ao estribo, como mandam as regras. Esteve bem a lidar o toiro e a cravar, desenhando os melhores
momentos de toureio da tarde.
Martim Moreno dos Amadores de São Manços concretizou a este terceiro da ordem a pega da
corrida, aguentando viagem rija e contando com boa ajuda do grupo.
Após um curto intervalo, voltou à arena Luís Rouxinol para lidar o exemplar de Canas
Vigouroux. Deixou-se lidar, foi nobre, mas faltou-lhe alguma entrega. Correto com ele esteve
Luís Rouxinol, que deixou bons apontamentos de brega e uma série de ferros de boa nota,
terminando com um ferro de palmo.
Miguel Cruz dos Amadores de Alcochete concretizou mais uma pega ao primeiro intento.
Já diz o ditado que no hay quinto malo, e o Castro não foi a exceção. Nobre, com ritmo e classe
na investida, embora um pouco distraído. Acabou por ir a menos com o decorrer da lide,
começando a tardar para os ferros, embora mantendo a mobilidade a perseguir as montadas.Começou bem Francisco Palha a receber o toiro, deixando um bom segundo comprido. Iniciou
bem a ferragem curta, com um bom primeiro ferro, rematado de excelente forma, sendo estes os
momentos mais destacados desta sua segunda lide.
Fechou a atuação dos Amadores de São Manços João Lourinho que, após sair da cara do toiro
na tentativa inicial, concretizou uma boa pega ao segundo intento.
Em último lugar saiu à praça o toiro de Lima Cabral (Monte de Cadema). Reservado e sem
fundo, exigiu que António Telles filho puxasse dos galões para lhe conseguir dar lide. O jovem
cavaleiro, que havia alcançado um triunfo no seu primeiro toiro, deu a lide possível ao toiro,
conseguindo uma prestação bastante digna, com ferros corretos, a ir a mais, com epílogo em dois
ferros de palmo de boa nota. Tarde importante de António Telles filho.
Miguel Direito dos Amadores de Alcochete concretizou à segunda tentativa a última pega da
tarde.
No final o júri composto pelos ganaderos decidiu outorgar ao toiro de Passanha o prémio de
apresentação e ao de Palha o prémio de bravura.
Dirigiu a corrida Maria Florindo, assessorada pela médico-veterinária Dra. Ana Gomes. No
cornetim esteve Nuno Massano.
