CRÓNICAS

Sol, Toiros e Emoção: A Tarde Grande da Palha Blanco

No primeiro fim de semana de Julho, a festa do campino assenta arraiais em Vila Franca de Xira. Do alto, uma visão conjunta da urbe, do Tejo e da Lezíria. O abraço do campo com a cidade. O campino, o toiro e o cavalo são sujeitos a uma relação que constitui a matriz original de identidade e da cultura local.

O ponto alto da festa ocorre com a homenagem ao Campino – figura ímpar da Lezíria Ribatejana. Na Praça Afonso de Albuquerque (Largo da Câmara), os campinos perfilam-se com garbo entre cavaleiros e amazonas.

Para além da homenagem ao Campino, as esperas e as largadas de toiros fazem parte da identidade vilafranquense. É a festa brava transposta para as ruas da cidade.

Chega um dos momentos mais esperados, a corrida de domingo. Uma tarde de sol e toiros. O público vai-se acomodando aos seus lugares e iniciam-se as cortesias.

Os toiros para a lide a cavalo, de Vale Sorraia estavam bem apresentados, com três toiros ovacionados de saída. De comportamento, foram exigentes e demonstraram pouca entrega.

A João Ribeiro Telles coube abrir praça uma prestação modesta e sem conteúdo. Destaque para o 2º ferro curto, porém a sorte não foi devidamente preparada. Dou mérito ao cavaleiro pela forma como cravou o ferro. No segundo, a atuação veio a mais, sobressaindo o 3º e 4º ferros curtos.

De Francisco Palha esperava-se mais, depois da tarde que demonstrou o ano passado na Palha Blanco. Contudo, protagonizou os melhores ferros da tarde, com a atuação no seu primeiro a vir a mais. Cravou os dois últimos ferros de antologia, aguentando a forte investida. Pôs o público de pé. Frente ao segundo, nunca se entendeu com o toiro e a atuação passou despercebida.

O grupo de Vila Franca apresentou-se num nível irrepreensível. As pegas foram executadas com muita arte e valor que caracteriza o forcado vilafranquense. Todas as pegas foram efetivadas à 1º tentativa, com os forcados a fecharam-se com garbo e decisão na cara dos oponentes e os ajudas a demonstrarem muita coesão. Foram caras Lucas Gonçalves, Guilherme Dotti, Miguel Faria e Rafael Plácido.

Para a lide a pé, os de Varela Crujo, de nula apresentação para uma praça como Vila Franca. O 1º da lide apeada foi fortemente protestado. De jogo, de inválida condição e sem classe.

Sebastien Castella regressou a Vila Franca na comemoração dos 25 anos de alternativa. Numa terra em que viu nascer a sua paixão pelo toureio a pé e onde deu os seus primeiros passos como bezerrista, esperava-se mais da sua atuação. O seu estatuto como uma das figuras consagradas do escalafón de matadores não está em causa, mas a sua presença nesta ocasião não deixará recordações.

No seu primeiro, enfrentou um ambiente pesado com o público a tributar uma airosa bronca à nula apresentação do astado. Devia ter abreviado faena, não havia nada a fazer. Frente ao segundo, também não teve grandes opções, com um animal inválido e sem classe. Não houve ligação na faena e os muletazos resultaram sem som.

A Palha Blanco registou ¾ fortes de casa.

Dirigiu a corrida o delegado técnico Ruben Fragoso, coadjuvado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

Antes do início da corrida, foi prestado um minuto de silêncio em memória do rejoneador Rafael Peralta, falecido na passada sexta-feira, aos 92 anos.

Duarte Viegas

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