Num dia que ecoa na alma, Moura Jr. triunfou em Reguengos de Monsaraz
O dia vivido em Reguengos de Monsaraz é sem sombra de dúvida daqueles que irão ecoar na memória de todos os que tiveram o privilégio de o poder viver. É daqueles dias que têm o condão de manter acesa a chama da esperança no futuro da festa a todos os aficionados, do mais crédulo até ao cético cuja esperança estava já quase extinta. Gente jovem, aficionados envolvidos na causa, artistas que se acercaram do público numa simbiose que muito contribui para a tauromaquia e para a união de que ela necessita.
Uma primeira palavra de apreço e profundo agradecimento para a Associação Reguengos Afición, que foi a grande responsável por esta iniciativa. Mostra de querer fazer as coisas de forma diferente, com dinamismo e acima de tudo com muita afición.
Hoje, 11 de abril, esta associação conseguiu fazer de Reguengos de Monsaraz o epicentro da tauromaquia. Ambientazo durante todo o dia… os aficionados responderam à chamada e foram até ao redor da Mestre Batista contribuir para que este dia ficasse escrito com tinta indelével na história da tauromaquia.
O principal objetivo e que deu o mote para toda esta iniciativa foi o de lutar pela causa de devolver ao canal público de televisão as transmissões em direto de corridas de toiros.
Fomos desafiados por estes empreendedores organizadores a “abraçar a tauromaquia” e formar o maior cordão humano em volta de uma praça de toiros. A festa dos toiros é de todos e para quem não tem a possibilidade de se deslocar às praças com a regularidade pretendida, a RTP é o meio ideal para fazer chegar a todos a tauromaquia. Oxalá a iniciativa surta os desejados efeitos e não tarde o regresso dos toiros à televisão.
Todo este dia de celebração da afición terminou, como não podia deixar de ser, com a concretização dos sonhos dos aficionados – a Corrida de Toiros! E para uma ocasião como esta, não se podia pedir melhor cartel: Mano-a-Mano Rui Fernandes X Moura Jr; Forcados de Évora e Monsaraz; Toiros Santa Maria. A juntar a todos estes ingredientes, uma magnífica moldura humana com uma praça quase cheia!
Os toiros da Ganadaria Santa Maria estavam irrepreensivelmente apresentados e quanto ao comportamento foram díspares. Destaque positivo para os lidados em segundo e sexto lugar, a transmitirem e a pedirem contas ao toureiro que tiveram por diante. Os restantes no geral deixaram-se lidar, mas faltou-lhes aquele picante para romperem. O ganadero foi premiado com volta à arena após a lide do sexto da ordem.
Rui Fernandes foi o responsável por abrir praça e foi precisamente no primeiro do seu lote que teve os melhores momentos desta sua passagem por Reguengos. Numa lide a mais, terminou com dois ferros de boa nota rematados com cingidas piruetas que tiveram impacto na bancada e valeram as primeiras ovações da tarde. Diante do terceiro da ordem realizou uma lide regular, sendo o momento de maior destaque o segundo curto, contando com a prontidão do toiro. Frente ao quinto da ordem as coisas não resultaram como o cavaleiro desejaria e a atuação foi marcada por alguma irregularidade. Ainda assim, deixou um último ferro que chegou ao público, que não lhe regateou aplausos.
João Moura Jr. veio a Reguengos como se deve encarar uma corrida desta importância, com disposição, ganas e vontade de triunfar. Prova disso foi a forma como recebeu os três toiros do seu lote. Diante do seu primeiro, abriu a lide com um emotivo ferro em sorte de gaiola. Numa lide que veio a menos, o destaque maior vai para o primeiro curto de excelente nota. Frente ao quarto, e após receber o toiro à porta gaiola, foi com o Qualvito que alcançou os melhores momentos desta sua lide. A veia lidadora da casa Moura veio ao de cima e o toureio aconteceu! Impressionante a forma como o cavalo se dobrou com o toiro como se de uma muleta se tratasse. Momentos impactantes e que deixaram a fasquia elevada para a sua última atuação.
E foi realmente nesta última atuação que se viveram os melhores momentos da tarde. Mais uma vez perfilou-se em frente à porta dos curros e deixou um ferro soberbo em sorte de gaiola, a que se seguiu outro comprido a dar todas as vantagens ao toiro. Trocou de montada e a ferragem curta foi antológica. Com o Jet-Set levantou o público com abordagens impactantes. Terminou com o Hostil e lamentavelmente o toiro tardou a arrancar nas mourinas. Mas a disposição do toureiro permitiu que na segunda entrasse nos terrenos do toiro, expondo-se, cravando um ferro emocionante. Terminou com um bom ferro de palmo e excelentes momentos de brega.
No capítulo das jaquetas de ramagens, dois grupos alentejanos – Évora e Monsaraz – estiveram no geral eficazes e proporcionaram uma tarde de boas pegas.
O grupo de Évora teve uma tarde limpa marcada pela eficácia nas três pegas, consumando todas ao primeiro intento. Foram solistas António Braga, Rafael Silva e Martim Lobo. Tarde positiva para o grupo de Évora, a ajudar coeso nas três pegas.
A jogar em casa, os Amadores de Monsaraz pegaram o seu primeiro toiro à primeira tentativa por intermédio do cabo João Tiago Ramalho. André Mendes não se conseguiu fechar nas duas tentativas iniciais e acabou por concretizar à terceira tentativa a pega ao quarto da ordem. Fechou a corrida David Ramalho que concretizou uma grande pega ao último da ordem, fechando-se com decisão ao primeiro intento.
A corrida foi dirigida por Domingos Jeremias, assessorado pela médico-veterinária Dra. Ana Gomes. No cornetim esteve Nuno Massano.
Autor: Tiago Correia

Foto: João Pedro Canhoto