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Crónica da Corrida do Colete Encarnado: João Salgueiro assina um regresso “desejado”

As gentes de Vila Franca preservam uma identidade própria, fruto da convivência entre o campo e a cidade. Essa ligação manifesta-se no Colete Encarnado, uma festa do povo que celebra as tradições ribatejanas e evidencia a relação singular entre o campino, o toiro e o cavalo, elementos emblemáticos da cultura local.

O ponto alto da festa ocorre com a homenagem ao Campino – figura ímpar da Lezíria Ribatejana. Na Praça Afonso de Albuquerque (Largo da Câmara), os campinos perfilam-se entre cavaleiros e amazonas.

Para além da homenagem ao Campino, as esperas e largadas fazem parte da identidade vilafranquense. É a festa transposta para as ruas da cidade.

Quando cai a noite, a festa faz-se pelas ruas da vila. As tertúlias tornam-se o ponto de encontro entre amigos e visitantes, que ali se reúnem para conviver e confraternizar. O fado ecoa pelas ruas, enquanto o aroma das sardinhas assadas se mistura com o burburinho da festa, dando ainda mais vida à noite.

Uma tarde de grande expectativa

Chega um dos momentos mais esperados: a corrida de domingo. Uma tarde de toiros que há muito não se via em Vila Franca, tal a expetativa em torno do regresso às arenas do “génio” João Salgueiro.

Os toiros de Condessa de Sobral estavam bem apresentados, homogéneos de tipo e de interessante comportamento, com destaque para o 4.º toiro, que recebeu leves palmas no final, e para o bravo 5.º toiro, ovacionado após a lide.

João Salgueiro regressa e rende o público

João Salgueiro rubricou duas atuações distintas. No primeiro, as passagens em falso e os ferros falhados acabaram por marcar a atuação frente a um toiro que se mostrou reservado.

No segundo, cravou três grandes ferros curtos, deixando o público completamente rendido ao toureio do “génio de Valada”.

João Moura Jr. em plano de destaque

João Moura Jr. encarou a tarde com responsabilidade. Gostei da atitude em dispensar os bandarilheiros nas lides.

Frente ao primeiro, entrou decidido e predisposto a triunfar, cravando o ferro comprido em sorte de gaiola e desenvolvendo uma atuação convincente, compreendendo as condições do codicioso que tinha por diante. Destaque para o 1.º e o 3.º ferros curtos, ambos de boa nota.

No seu segundo, rubricou uma atuação de grande nível, dando primazia ao toiro arrancar no momento do ferro. O 3.º ferro curto é de muita qualidade. Uma atuação que pôs o público de pé.

Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca irrepreensível

O Grupo de Vila Franca apresentou-se num nível irrepreensível. As pegas foram executadas com muita arte, valor e a raça que caracteriza o forcado vilafranquense.

Todas as pegas foram efetivadas à primeira tentativa. Foram caras Guilherme Dotti, numa pega de grande nível e com coesão nas ajudas; Miguel Faria, realizando uma pega fácil; Rodrigo Andrade, superiormente ajudado pelo primeiro ajuda Diogo Duarte; e, a fechar, Rodrigo Camilo, com uma primeira ajuda de bom nível de Diogo Sousa.

Borja Jiménez confirma o estatuto

Borja Jiménez, uma das figuras do momento, veio a Vila Franca provar o seu estatuto de figura. É daqueles toureiros que toureia qualquer tipo de encaste.

As suas duas faenas foram convincentes, sem grandes exageros. O seu lote teve pouca duração, com os toiros a “desligarem-se” a meio da faena. Mesmo assim, mostrou variedade com o capote e aproveitou para tourear com a mão direita, deixando séries ligadas e templadas.

Direção da corrida e nota final

Dirigiu a corrida com acerto o delegado técnico Ruben Fragoso, assessorado pelo médico veterinário Dr. João Candeias.

A Praça de Toiros de Vila Franca registou três quartos fracos de entrada.

Antes do início da corrida, foi prestado um minuto de silêncio em memória das vítimas do terramoto na Venezuela.

Por : Duarte Viegas

( Foto: João Silva )

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