CRÓNICASNOTÍCIASPUBLICIDADE

Reguengos | Praça cheia e toiros sérios marcaram o tradicional 15 de Agosto

A Praça de Toiros José Mestre Batista abriu as suas portas pela terceira vez na temporada 2026, para receber a sua tradicional corrida do 15 de agosto, que contou uma vez mais com casa cheia, fruto do trabalho louvável da Associação Reguengos Afición.

Cartel misto, num regresso do toureio a pé a Reguengos passado muitos anos de ausência. Provou-se que, quando as coisas são bem feitas e em praças e datas certas, a corrida mista tem impacto no público e resulta. Bem haja à organização por esta decisão e deseja-se que estas oportunidades se repitam e abram caminho para os jovens matadores e novilheiros que tanto lutam diariamente por uma oportunidade.

No que à corrida diz respeito, confesso que à priori, particularmente, me enchia de ilusão. E por vários motivos: o regresso a Reguengos de João Salgueiro, após cerca de 15 anos de ausência; um toureiro que se entrega como Tristão Telles, que arrisca em cada tarde e chega com facilidade ao público; um dos mais valorosos matadores de toiros da atualidade; dois grupos de forcados de créditos firmados; e um curro de toiros duma ganadaria dura, que impõe perante os toureiros e obriga a que se façam as coisas bem feitas.

Os toiros de Falé Filipe, bem apresentados na generalidade, trouxeram emoção à corrida. Não foram fáceis, longe disso, tentaram impor-se perante os toureiros e não perdoavam erros. Destaque para a classe pelo piton direito e nobreza do lidado em terceiro lugar e para a bravura do quinto, que saía de todos os terrenos, levando emoção às bancadas. Foi após lide deste toiro que o ganadero Carlos Falé Filipe foi chamado a dar volta ao ruedo.

João Salgueiro, conforme já havia referido, regressou a Reguengos após cerca de 15 anos sem pisar este ruedo. Enfrentou-se com dois toiros exigentes, a pedir contas e a não facilitar no momento do ferro. Esteve bastante correto diante do primeiro, contornando-lhe as dificuldades e realizando uma lide limpa, chegando ao público. Diante do quarto viu as duas faces da mesma moeda. Por um lado, após passagem em falso, deixou quiçá o ferro da noite. Uma paradinha a fazer lembrar os tempos áureos da sua carreira. Grande momento! Imediatamente a seguir, procurando arriscar e pisar terrenos de muito compromisso, sofreu uma colhida aparatosa, aparentemente sem consequências de maior. Salgueiro recompôs-se e, com a garra e ambição que lhe são características, deixou mais um par de ferros de excelente nota, sendo bastante acarinhado pelo público. Ficou bem demonstrada a fibra de que é feito e reiterou uma vez mais que veio para ficar.

Tristão Telles é um toureiro que arrisca em todas as tardes e prova disso foram as duas sortes gaiola com que recebeu os seus toiros. Sentiu dificuldades em encontrar as distâncias ideais do primeiro toiro do seu lote, um exemplar distraído e que facilmente se desligava da montada. Ainda assim, registou alguns ferros de boa nota, numa atuação a ir a mais. Diante do quinto, bravo e a transmitir, que se arrancava de todo o lado, sentiu as dificuldades próprias de se encontrar com um toiro que quis sempre partir primeiro. Mas aqui a conversa foi outra, ao terceiro ferro ganhou sítio e levantou o tom da atuação que veio a mais tal como a investida do toiro. Dois ferros impactantes chegaram com força à bancada e levantaram o público dos assentos! Boa lide esta de Tristão Telles.

Manuel Escribano é um toureiro dum valor fora de série. Enfrenta toiros de todas as ganadarias e com todas elas sai com a mesma entrega. É de enaltecer o facto de vir a Portugal com toiros portugueses e com a disposição de sempre. Diante do seu primeiro, nobre e com classe na investida pelo piton direito, recebeu-o com uma larga de joelhos e seguiu à verónica, rematada com uma meia verónica e uma revolera, suscitando os primeiros olés. Bonito quite o que se seguiu por chicuelinas. Com a muleta aproveitou as características do oponente, baixando a mão e templando a investida, realizando uma faena bastante conseguida. Diante do último da corrida, menos claro nos primeiros tércios, procurou sempre entendê-lo e levá-lo toureado, sendo com o toureio de cercanias que mais chegou ao público, arrimando-se e conectando com as bancadas. Sofreu uma voltareta durante esta lide, recompondo-se de imediato. Nota para os tercios de bandarilhas, que diviviu com dois elementos da sua quadrilha – um em cada toiro que resultaram eficazes. Deu duas voltas após cada uma das suas lides e no final saiu em ombros.

No que ao capítulo das pegas diz respeito estiverem em praça os Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e de Monsaraz.

Por Lisboa abriu praça Duarte Nascimento que viu o toiro sair solto, fechou-se com garra e contou com boa ajuda do grupo para consumar à primeira tentativa. Diante do quarto, José Batista concretizou à terceira tentativa.

Por Monsaraz Rui Caeiro saiu lesionado após bater por duas vezes as palmas ao segundo da ordem. Foi dobrado pelo cabo João Tiago Ramalho que consumou à terceira. André Mendes consumou à segunda tentativa a última pega da noite.

No início da corrida realizou-se a já tradicional procissão de velas, seguindo-se uma merecida homenagem ao Dr. António Peças, sendo atribuido o seu nome à enfermaria da Praça de Toiros.

Nota negativa para a excessiva duração do espetáculo, a rondar as quatro horas.

Dirigiu a corrida Domingos Jeremias, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santana. No cornetim esteve Nuno Massano.

Tiago Correia in Porta dos Sustos

error: Conteúdo Protegido!