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Uma tarde com notas de destaque – Por : Duarte Viegas

A caminhar para o final da temporada taurina, Vila Franca é o palco de emoções onde os bons ventos ainda sopram. Ali, na castiça Palha Blanco, onde um século e um quarto de história se cruza com a tradição da Feira Franca de Outubro, aos pés do Tejo que Camões cantou, sob o olhar das ninfas que ainda parecem guardar as suas margens.

Para comemorar a efeméride tão assinalável, a empresa compôs um cartel diversificado. A cavalo, dois toureiros que estão a “emergir” no panorama do toureio a cavalo. A pé, uma figura que se tem vindo a consolidar no principal escalafón do toureio a pé.

Os toiros

Foram lidados toiros de várias ganadarias. Para a lide a cavalo, os toiros de Murteira Grave e de Sommer D’Andrade estavam bem apresentados e foram desiguais de comportamento. Destaque para o 1º toiro da tarde, que recebeu leves palmas no final e o 5º toiro que recebeu ovação no final da lide e a volta a arena para a ganadera. Ambos os toiros da ganadaria Murteira Grave.

Para a lide a pé, foram lidados dois toiros da ganadaria Falé Filipe. De apresentação desigual e distinto jogo.

Miguel Moura

A viver um bom momento está Miguel Moura. Desde o início que demonstrou as suas intenções. No primeiro do lote, de saída apontou uma importante “sorte de gaiola”. O toiro que lhe coube em sorte tinha mobilidade, mas faltou algum “picante” no que à transmissão concerne, e aí foi, onde Miguel Moura mostrou a sua “sabedoria toureira”.

Destaque para o 1º ferro curto, de boa nota e para os remates das sortes que resultaram com impacto. No segundo, um sobrero de Murteira Grave, em virtude do seu toiro de Sommer sair inutilizado à arena, a atuação foi correta, dentro do seu estilo.

Tristão Ribeiro Telles

A Tristão Ribeiro Telles faltou alguma “interpretação” aos toiros que lhe foram sorteados. De saída a ambos os toiros do seu lote, quis mostrar a sua predisposição ao apontar duas “sortes gaiola”. Porém, as sortes resultaram desfeitas na altura da cravagem do ferro.

Frente ao primeiro, de Sommer D’Andrade, faltou algum “sabor” à sua lide para obter outro resultado. No último do lote, de Murteira Grave, viu-se uma falta de “acople” com o toiro que tinha por diante. Houve desajustes na execução e na cravagem dos ferros, com o cavaleiro a não ter argumentos para contrariar a alegre e impetuosa investida do “Murteira”.

Forcados

Nas pegas, os grupos de Montemor e Vila Franca em bom plano numa tarde em que houve pegas onde falta algum “desajuste” na concretização das pegas.

Pelo grupo de Montemor, foram caras Joel Santos à 2º TNT. Na primeira tentativa, o forcado sofreu um violento derrote que o tirou da cara do toiro. José Maria Cortes Monteiro à 1º TNT, numa pega que contou com boa coesão das ajudas.

Pelo grupo de Vila Franca, foram caras Rodrigo Camilo à 1º TNT, numa pega de fácil execução. Miguel Faria à 3º TNT, numa pega com as ajudas carregadas.

Daniel Luque

Daniel Luque vive uma fase de amadurecimento e de grande “capacidade toureira”. Os “Falé Filipe” não foram fáceis e Daniel Luque esteve muito solvente na construção das suas faenas.

Frente ao primeiro que motivou leves assobios pelo seu “escasso” trapio, Daniel Luque lanceou à verónica com gosto e decisão. Na muleta, as séries de naturais foram aquelas em que o toureiro se sentiu mais “a gosto” e onde esteve mais sobrado de argumentos.

No último toiro da noite, foi onde atingiu momentos de grande “capacidade toureira”. Daniel Luque sob ir buscar água a um poço quase vazio. Não trouxe cá acima o balde cheio de água, mas metade do balde veio carregado. Foi na muleta que atingiu o epílogo da faena quando toureou por “derechazos” de grande profundidade.

A praça

A praça de Vila Franca registou uma entrada de ¾ de casa.

Dirigiu a corrida a delegada técnica Lara Gregório Oliveira, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Luís Cruz.

Por : Duarte Viegas

Fotos: Nuno Almeida

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