Crónica da Corrida Concurso de Vila Franca – O toiro como Rei numa tarde de interessantes apontamentos
O primeiro domingo do mês de Maio em Vila Franca é de culto ao toiro, o rei da festa. Cada ganadeiro apresenta o topo da sua camada, na convicção de que o seu exemplar seja sinónimo de garantia de espetáculo e constitua um momento atrativo para o aficionado.
Ali, na castiça Praça de Toiros Palha Blanco, com o Tejo a servir de pano de fundo, saem pela “porta dos sustos” seis exemplares para disputar os troféus apresentação e bravura.
Uma corrida concurso de ganadarias de irrepreensível apresentação, com cada toiro a sair dentro da linha da sua divisa. Os toiros de Cunhal Patrício, Oliveira Irmãos e Fernando Palha foram ovacionados de saída pela sua imponência. De comportamento, mostraram desigualdades.
O de Cunhal Patrício tinha nobreza, mas esperava no momento do ferro; o de Sommer D’Andrade cumpriu; o de Canas Vigoroux foi manso e a esperar no momento do ferro; o de Oliveira Irmãos resultou complicado; o de Fernando Palha teve transmissão e foi voluntarioso, tendo o “defeito” de se refugiar em tábuas na parte final da lide; o de Vale Sorraia mostrou conduta de manso.
Manuel Telles Bastos frente ao primeiro do seu lote, de Cunhal Patrício foi fiel ao seu conceito, cravando a ferragem com correção. No segundo, de Oliveira Irmãos, passou por dificuldades e não teve matéria prima para dar a volta, que não se empregava. Contudo, ressalva-se o 1º ferro curto. Foi um ferro dentro dos cânones do seu toureio clássico. Um ferro que passou um pouco despercebido ao público.
António Prates, teve duas atuações medidas de conteúdo. Não foi de “triunfo rotundo”. Frente ao segundo da tarde, de Sommer D’Andrade, assinou uma atuação de mérito, com destaque para o convincente 2º ferro curto. No quinto, de Fernando Palha a lide não passou de correta, sem grandes alardes de nota.
Tristão Ribeiro Telles teve duas atuações dissemelhantes. A primeira lide frente ao Canas Vigoroux foi cumpridora, com poucas notas de destaque. Frente ao segundo, de Vale Sorraia, a atuação foi meritória, pela forma como contornou as dificuldades exigidas. Destaque para o 1º e 4º ferros curtos de boa nota.
Nas pegas, os grupos de Santarém e Vila Franca não apresentaram grandes problemas de maior executar as suas pegas e a mostrarem coesão nas ajudas.
Pelo Grupo de Santarém, foram caras João Faro, Joaquim Grave e Duarte Palha. Todos eles pegaram à 1º tentativa.
Pelo Grupo de Vila Franca, pegaram Rodrigo Andrade à 1º tentativa, numa pega fácil, Rodrigo Camilo à 2º tentativa. Na primeira, o toiro foi brusco na viagem e que tirou o forcado da cara do toiro. A fechar, Vasco Carvalho à 1º tentativa.
No final, foram entregues prémios ao melhor grupo em praça e os troféus apresentação e bravura. Ao melhor grupo em praça, o grupo de Santarém venceu o prémio.
Os troféus Apresentação e Bravura foram distinguidas as divisas de Fernando Palha e Sommer D’Andrade. Os prémios outorgados foram assobiados pelo público.
Dirigiu a corrida com acerto e critério a delegada técnica Lara Gregório Oliveira, assessorada pelo médico veterinário Dr. José Luís Cruz.
A Praça de Toiros Palha Blanco apresentou uma lotação de ½ forte de entrada.
No início da corrida foi prestado um minuto de silêncio em memória do ganadeiro Jorge Maria de Sousa, o Conde de Murça, falecido a semana passado; e a Augusto Levezinho, pai dos antigos empresários desta praça, Ricardo e Rui Levezinho e o músico e professor da Banda do Ateneu Artístico Vilafranquense, Américo Borda D’Água.
Duarte Viegas in Porta dos Sustos