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Elvas | O ferro de Salgueiro, a lide de Fernandes e a conexão com o público de Bastinhas

Autor: Tiago Correia

O Coliseu Comendador Rondão de Almeida abriu ontem as suas portas para aquela que foi a
segunda corrida da Feira Taurina de São Mateus 2026, que reunia um cartel com bastantes motivos
de interesse, sendo que, para o público da terra, o interesse maior estava na reaparição na sua
praça de Marcos Bastinhas, depois de um momento complicado na sua vida pessoal e profissional.
E foi precisamente para Bastinhas a primeira grande ovação da noite, mal entrou em praça para
as cortesias. Elvas é a sua praça e este é o seu público!


O Coliseu de Elvas registou uma lotação esgotada, com enorme ambiente nas bancadas, fazendo
antever uma grande noite de toiros.


A corrida iniciou-se com uma sentida e muito merecida homenagem a José Tello Barradas,
cronista, apoderado e um grande aficionado, contando com a presença na arena dos seus filhos e
dos intervenientes da corrida.


Lidaram-se nesta noite toiros das ganadarias Passanha (2º, 4º e 6º) e São Marcos (1º, 3º e 5º),
díspares de apresentação e comportamento. O primeiro da ordem, reservado e complicado, foi a
menos com o decorrer da função. Ao segundo, pronto para os ferros, faltou alguma mobilidade e alegria na perseguição à montada. O que fechou a primeira parte foi também ele complicado e de investidas
incertas. O quarto da ordem cumpriu a sua função e mostrou disponibilidade para os ferros, saindo
de largo. O quinto, com o ferro de São Marcos, foi o de melhor nota da corrida. Teve muita
mobilidade, dando por vezes sinais de alguma distração. No final da sua lide, o maioral foi
premiado com volta ao ruedo. O sexto deixou-se lidar, embora indo a menos com o decorrer da
função.


A corrida teve duas partes completamente distintas, a primeira marcada por algumas complicações
impostas pelos toiros e algumas dificuldades sentidas pelos toureiros, sendo a segunda parte de
maior luzimento artístico.


Abriu praça João Salgueiro que teve de puxar de toda a sua maestria para dar a volta ao
complicado primeiro da ordem. Salgueiro é um génio do toureio e desde a sua reaparição cada
um dos cartéis em que se anuncia é um acontecimento. É daqueles toureiros que não deixa
ninguém indiferente, arrepiando os aficionados com as abordagens ao toiro e pelos terrenos que
pisa. Esteve Salgueiro correto na ferragem curta ao seu primeiro, sendo o melhor ferro o terceiro,
já com o toiro a esperar. Grande momento! A abrir a segunda parte viu-se o melhor do Maestro
Salgueiro. Esteve correto na ferragem comprida, seguindo-se um compêndio de bom toureio, com
três ferros “à Salgueiro”. O segundo curto, com o toiro a vir de largo, é o ferro da corrida. Parece
impossível a forma como o cavalo se tirou da cara do toiro sem ser tocado. São estes momentos
que emocionam e fazem aficionados.


Rui Fernandes teve duas atuações distintas. Na primeira, nunca se conseguiu acoplar à investida
do toiro, consentindo vários toques nas montadas. No final da atuação recusou dar volta à arena,
numa atitude digna, embora a mesma tenha sido autorizada pela direção de corrida. Na segunda
parte, as coisas correram de forma totalmente diferente. O toiro colaborou, o toureiro entendeu-o
e esteve inspirado, e o que se viu foi uma grande lide! Esteve bem a lidar o toiro, aproveitando a
nobreza nas investidas para o levar embebido em bonitos ladeios, sendo os ferros deixados de
grande nota. Destaque para o último da série, entrando pelos terrenos do toiro, um ferro soberbo
e que chegou à bancada.


Falta falar de Marcos Bastinhas, toureiro da terra, que teve, como não podia deixar de ser, o
público consigo durante toda a noite. Na primeira lide, sentiu algumas dificuldades, deixando a
ferragem da ordem, embora com pouco comprometimento nas reuniões. Recebeu o oponente à
porta gaiola, deixando dois bons compridos, os melhores momentos da sua atuação. Fechou com
um ferro de palmo bastante aplaudido pelo público. Diante do último da noite, viu-se um Marcos
Bastinhas mais lidador, destacando-se um bom ferro curto. Terminou a atuação com um palmo e
um par de bandarilhas.


No capítulo das pegas, estiveram em praça os Forcados Amadores de Montemor e Académicos
de Elvas.


Por Montemor, abriu praça Vasco Ponce, que nesta noite se despedia das arenas. Consumou à
terceira tentativa, depois de duas tentativas em que o forcado da cara esteve bem, mas faltaram
ajudas para que a pega se consumasse. O terceiro foi pegado de cernelha por António Pena
Monteiro e Joel Santos, à primeira entrada, com bastante mérito. Fechou a atuação do grupo de
Montemor José Maria Cortes com uma enorme pega à primeira tentativa.


Pelos Académicos de Elvas José Pedro Silva viu o toiro sair solto e fechou-se com garra,
concretizando à primeira tentativa a pega ao segundo da ordem. Miguel Sadio não recuou o
suficiente nas três tentativas que executou, sofrendo violentos derrotes, que o levaram à
enfermaria. Na dobra, consumaram a sesgo ao quarto intento. Fechou a noite Luís Carvalho que
aguentou uma viagem longa e consumou ao intento inicial.


A corrida foi dirigida por Domingos Jeremias, assessorado pelo médico-veterinário Dr. José
Miguel Guerra. No cornetim esteve Nuno Massano.

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