Vasco Pereira: a sua última entrevista como cabo dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira — uma despedida marcada pela emoção
Oito anos depois de ter assumido a chefia dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, Vasco Pereira viveu, na noite de 6 de outubro, um dos momentos mais marcantes do seu percurso no Grupo: a passagem de testemunho a Rodrigo Dotti.
Na Palha Blanco, perante a afición vilafranquense, terminou um ciclo e começou outro. No final de uma noite inevitavelmente carregada de emoção, Nuno Almeida falou com Vasco Pereira sobre o caminho percorrido, a renovação do Grupo, o homem a quem entrega agora a liderança e aquilo que leva consigo destes oito anos.

Nuno Almeida — Vasco, grandes emoções. Quando assumiste o Grupo tinhas pela frente um desafio difícil, nomeadamente a necessidade de fazer uma renovação. Olhando hoje para o Grupo, parece-me que essa renovação foi conseguida. E há também uma presença completamente diferente dos Forcados de Vila Franca: mais corridas, maior presença e outra notoriedade. Como olhas para a tua liderança enquanto cabo do Grupo?
Vasco Pereira — Naturalmente que faço um balanço muito positivo. Foram oito anos com muitas coisas vividas, muitos espetáculos e, sobretudo, muitas emoções.
Quando se assume uma responsabilidade destas, sabemos que há um caminho a fazer. O tempo vai passando e vamos tomando decisões, procurando sempre aquilo que entendemos ser melhor para o Grupo.
Hoje, chegar aqui e olhar para trás, para aquilo que fomos conseguindo fazer ao longo destes anos, deixa-me muito satisfeito. Houve uma renovação, apareceram novos homens e conseguimos criar condições para que o Grupo pudesse continuar a evoluir.
Acima de tudo, criou-se uma ligação fantástica entre todos. Isso, para mim, é talvez uma das coisas mais importantes que levo destes anos.
É um enorme orgulho ter sido cabo dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.
Naturalmente houve momentos melhores e momentos mais difíceis — faz parte de qualquer percurso desta dimensão —, mas penso que conseguimos consolidar o Grupo e criar uma base muito importante para aquilo que serão os próximos desafios.
Chegamos ao final deste ciclo com homens preparados, com um Grupo unido e com condições para continuar o seu caminho. E isso deixa-me muito satisfeito.

Nuno Almeida — E agora começa precisamente um novo ciclo. Que mensagem deixas ao Rodrigo, que recebe de ti a responsabilidade de ser cabo dos Forcados de Vila Franca?
Vasco Pereira — Para mim há aqui duas questões importantes.
Uma é naturalmente aquilo que foi o meu percurso enquanto cabo e o balanço que faço destes anos. A outra é aquilo que começa agora com o Rodrigo.
O Rodrigo conhece perfeitamente o Grupo. Conhece os homens, conhece a nossa forma de estar, conhece o nosso dia a dia e sabe aquilo que representa estar à frente dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.
E isso é muito importante.
A partir daqui terá naturalmente de fazer o seu caminho e liderar à sua maneira. Cada pessoa tem a sua personalidade e a sua forma de estar, e ele terá de ser ele próprio.
Tenho confiança nele e sei que vai continuar a trabalhar pelo Grupo.
Aquilo que lhe desejo é que continue a aproveitar as oportunidades que forem surgindo, como tem feito até agora, e que consiga continuar a levar o Grupo cada vez mais alto.
Da minha parte terá naturalmente todo o apoio. A minha função agora é outra, mas continuarei ligado ao Grupo. Sempre que puder estarei presente e, muitas vezes, seguramente, estarei na bancada a acompanhar.
O mais importante é que ele faça o seu percurso e que o Grupo continue a crescer.
Nuno Almeida — Para terminar: que mensagem deixas aos homens do Grupo e aos aficionados que te acompanharam ao longo destes oito anos?
Vasco Pereira — É difícil chegar a um dia como este e não sentir muitas coisas.
Acaba uma etapa muito importante da minha vida. Foram muitos anos, muitas experiências, muitas corridas e muitas pessoas que fizeram parte deste caminho.
Aquilo que fica é sobretudo o carinho e aquilo que levamos no coração.
Aos homens que estiveram comigo durante estes anos, deixo naturalmente um enorme abraço e o meu agradecimento por tudo aquilo que vivemos juntos.
Um cabo pode ter ideias, pode tomar decisões e pode procurar definir um caminho, mas um Grupo faz-se das pessoas que estão lá dentro. São elas que permitem que esse caminho seja feito.
E aos aficionados quero também deixar uma palavra muito especial de agradecimento pelo carinho demonstrado ao longo destes anos.
Vila Franca é a nossa casa. A ligação entre este Grupo, esta terra e os seus aficionados é muito especial e deve continuar a ser preservada.
Agora começa uma nova etapa. A jaqueta passa para outro homem, mas aquilo que ela representa continua a ser o mesmo.
Desejo ao Rodrigo e a todos os homens do Grupo as maiores felicidades e espero que os aficionados continuem, como sempre fizeram, próximos dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.
Para mim ficam as memórias, o orgulho e a enorme satisfação de ter feito parte desta história.

Nuno Almeida – Porta dos Sustos