Corrida Concurso Insonsa por: Duarte Viegas
Em terras de Salvaterra, onde em tempos antigos havia touradas reais, permanece vivo um território moldado pelo Tejo, pelo campo e pela alma ribatejana. Aqui, a temporada taurina começa com o reconhecimento do papel dos trabalhadores e produtores do tomate da região, cujo trabalho acompanha o ritmo da terra. Tarde soleada e com ótima temperatura, mas com o passar do tempo resfriando tornando o ambiente um pouco agreste. A corrida concurso torna-se num motivo de interesse para o aficionado. Nos últimos anos, tem cada vez mais “partidários” a este tipo de espetáculo. Da “porta dos sustos” , seis exemplares disputam os troféus apresentação e bravura. Uma corrida concurso, de diferentes tipos e hechuras. De comportamento, mostraram desigualdades. O de Foro do Almeida, manso e reservado; o de Lima Cabral teve transmissão e foi voluntarioso; o de José Dias mostrou querenças; o de Manuel Veiga foi manso; o de Fernando Palha mostrou “virtudes”; o de Torre de Onofre teve querenças. Francisco Palha tem um conceito de toureio que muitas vezes torna-se imprevisível e que não permite ter sempre uma lide consistente. O que se viu em Salvaterra foi isso precisamente . Nos toiros do seu lote, de Foro do Almeida e de Manuel Veiga, andou correto e sem grandes notas de destaque. Ressalvo um único ferro cravado no segundo do seu lote, o 1º ferro curto, de grande nota e a imprimir verdade. Luís Rouxinol Jr., que atuou em substituição do seu pai, atuava à mesma hora em Évora, teve duas atuações consistentes, mas sem alcançar o triunfo. Na primeira, frente ao de Lima Cabral, mostrou regularidade e com bons pormenores. Frente ao de Fernando Palha, compreendeu o toiro, cravando ferros com verdade e a transmitir. Destaque para o 2º ferro curto, aproveitando bem as “virtudes” do toiro, que arrancava “a passo” para o momento do ferro. António Telles filho demonstra um sentido de lide diferente dos demais. Para além disso, mostra desenvoltura no seu toureio. A sua passagem por Salvaterra merece um toque de atenção. O toiro de José Dias, destapou os defeitos do seu toiro e mostrou desembaraço. No último toiro da tarde, de Torre de Onofre, teve bons apontamentos ligados ao seu conceito, com destaque para os dois últimos ferros curtos. Nas pegas, os grupos de Lisboa e Vila Franca não tiveram grandes dificuldades de maior na execução das pegas. Pelo grupo de Lisboa, foram caras José Duarte à 2º TNT, Tomé Batalha e Tiago Silva os dois efetivaram a pega à 1º TNT. Pelo grupo de Vila Franca, foram caras Guilherme Dotti à 1º TNT, André Câncio à 3º TNT, com uma grande primeira ajuda de Diogo Sousa e a fechar a tarde Rodrigo Camilo à 1º TNT. No final da corrida, foram entregues os troféus apresentação e bravura às ganadarias de Torre de Onofre e Fernando Palha. A ganadaria de Lima Cabral merece nota de destaque, pois foi um dos candidatos ao troféu Bravura. Dirigiu a corrida com acerto o delegado técnico Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Luís Cruz. Ao início da corrida, guardou-se um minuto de silêncio em memória de Fernando Ferreira, antigo forcado do grupos de Coruche e de Lisboa. A praça de Salvaterra registou uma lotação de ¾ de entrada, mesmo com duas corridas anunciadas à mesma hora.
