Reguengos de Monsaraz | Tarde de família marcada pela estreia de Simão Rouxinol
A Praça de Toiros José Mestre Batista, em Reguengos de Monsaraz, voltou a abrir as suas portas para o segundo grande acontecimento da sua temporada taurina de 2026.
A tarde estava, a priori, marcada pela inauguração dos novos curros da praça, mais uma das marcas da cuidadosa e apaixonada gestão dos destinos da praça por parte da Reguengos Afición.
Numa tarde de bastante calor, as bancadas da Mestre Batista registaram uma enchente que dava o mote para uma tarde de emoções fortes. Após as cortesias, realizou-se, com a presença na arena de todos os intervenientes, a cerimónia de inauguração dos novos curros.
Seguiu-se uma bonita e sentida homenagem a Manuel Trindade, numa tarde em que o seu Grupo de São Manços pegava pela primeira vez em Reguengos após a sua partida.
No que à corrida diz respeito, a tarde ficou marcada pela vontade desmedida de todos os toureiros de estar bem, que nalgumas ocasiões esbarrou com as dificuldades e a falta de possibilidades oferecidas pelos toiros da divisa Vale Sorraia. Um curro de toiros de irrepreensível apresentação. Quanto ao comportamento, na generalidade mostraram-se pouco disponíveis e com marcadas crenças. Destacou-se o terceiro da ordem, encastado, e o sexto, que cumpriu para a lide a duo.
Abriu praça António Ribeiro Telles, que realizou uma lide correta, marcada por boas abordagens e pela classe a que sempre nos habituou. Destaque positivo para o quarto ferro curto, cravado depois duma boa brega de preparação da sorte.
Luís Rouxinol teve que puxar de toda a sua maestria para contrariar as dificuldades do toiro que lhe tocou em sorte. Esteve bem a lidar o toiro e cravou bons ferros, estando claramente por cima do oponente. Boa lide do cavaleiro de Pegões, a terminar com um bom ferro de palmo em terrenos de muito compromisso, numa tarde bastante especial para si e para a sua família.
Seguiu-se Luís Rouxinol Jr. e, com ele, o primeiro grande triunfo da tarde. Começou bem na ferragem comprida, dando vantagens ao toiro e recriando-se no remate das sortes. Já após a cravagem do primeiro curto e com a música a tocar, trocou de montada, e o que se seguiu foi de um nível arrebatador. Sempre a dar vantagens ao oponente, a consentir as suas investidas e a cravar uma grande série de ferros. Triunfo muito importante a reiterar as importantes atuações já obtidas nesta praça na passada temporada.
António Ribeiro Telles Filho teve a difícil tarefa de dar lide ao quarto da tarde. Um manso com crenças em tábuas que obrigou o toureiro que teve por diante a uma lide bastante esforçada. Mérito na forma como tentou a todo o custo tirar água de um poço seco. Todos os toiros têm lide e António deu a possível a este difícil Sorraia.
Não desvalorizando de forma alguma as atuações dos restantes intervenientes, a verdade é que o momento que se viveu no quinto da tarde emocionou-me de uma forma particular. A estreia de um novo cavaleiro é sempre um marco importante na vida do próprio e, num momento em que a tauromaquia tanto precisa de renovação, é também este um momento de esperança para a própria tauromaquia. Os novos valores merecem todo o apoio, uma vez que é por eles que passará o futuro da festa.
O público presente na Mestre Batista acarinhou desde o início o jovem Simão Rouxinol. Durante a lide, todos os aplausos de apoio deram lugar à emoção de uma lide extraordinária, diante de um novilho colaborante com o ferro de Passanha. Após a cravagem do primeiro comprido, esqueci-me por completo que era um cavaleiro estreante que estava em praça, tal a maturidade e a seriedade com que esteve diante do novilho. Tem sentido de lide e está bastante preparado. O primeiro curto é verdadeiramente soberbo, dando vantagens ao novilho. E o terceiro, no seguimento dum bonito ladeio, teve um enorme gosto toureiro. Boa lide do mais jovem da dinastia Rouxinol, deixando em todos os presentes vontade de o voltar a ver brevemente em praça.
A corrida terminou com as duas lides a duo entre as famílias Telles – António pai e filho – e Rouxinol – Luís pai e filho. Ambas as lides tiveram ligação e, dentro daquilo que se espera das lides a duo, chegaram às bancadas e o público saiu satisfeito.
No capítulo das jaquetas de ramagens, estiveram em praça os Amadores de São Manços, do México e de Monsaraz.
Por São Manços abriu praça Martim Moreno, que saiu lesionado na primeira tentativa. Na dobra, a pega foi concretizada com mérito e uma soberba primeira ajuda. Rodrigo Grilo teve decisão e consumou com mérito uma grande pega ao quarto da ordem. O novilho de Simão Rouxinol foi pegado à segunda tentativa numa seleção dos três grupos em praça, sendo forcado de cara Afonso Amador.
Os Amadores do México sentiram dificuldades no primeiro toiro do seu lote. Alejandro Batista consumou ao terceiro intento, depois duma tentativa em que o grupo o deixou sozinho na cara do toiro. Diante do sexto, o cabo René Tirado concretizou uma boa pega à primeira tentativa.
Por Monsaraz, André Claudino pegou à segunda tentativa o terceiro da ordem. O grupo de Monsaraz fechou a tarde com uma boa pega à primeira tentativa, não tendo sido audível o nome do forcado da cara.
Dirigiu a corrida Domingos Jeremias, assessorado pela médico-veterinária Dra. Ana Gomes. No cornetim esteve Nuno Massano.
Nota negativa para o pó que se levantou para a bancada durante toda a corrida, mesmo tendo o ruedo sido molhado antes da corrida e por duas vezes durante o espetáculo.
Por: Tiago Correia
