Pormenores de Miguel Moura fizeram a diferença -Por: Duarte Viegas

Na Moita, a identidade constrói-se entre o Tejo e a vida quotidiana das suas gentes.
A Feira de Maio não é o auge, nem pretende ser. É o início. O primeiro sinal de que a terra sai da pausa e volta a reconhecer-se na rua, no movimento e na tradição. É o antecedente das Festas em Honra de Nossa Senhora da Viagem, o momento maior da Moita, onde a vila se cumpre por inteiro.
A corrida da Feira de Maio tinha o seu interesse. O sério e imponente curro da ganadaria Cunhal Patrício gerava expetativa entre os aficionados. Ainda assim, o calor que se fazia sentir à hora da corrida e a coincidência com a final da Taça de Portugal acabariam por retirar algum ambiente às bancadas.
Os toiros estavam bem apresentados e mostraram desigualdades no comportamento. Destaque para o 2.º e 5.º da ordem, sendo este último ovacionado no final da lide e premiado com volta à arena ao ganadeiro.
Cavaleiros
João Moura Caetano
Teve uma passagem discreta pela Moita. O lote que lhe tocou não era fácil, mas faltaram outros argumentos para dar a volta à situação.
Abriu praça com uma prestação sem grandes alardes diante de um toiro que, no decorrer da lide, teve tendência a refugiar-se em tábuas. No segundo, a prestação foi corretíssima, embora o toiro tenha levado demasiados capotes, algo que o toureio a cavalo não deve exigir.
Miguel Moura
Mostrou desde cedo disposição em triunfar. Frente ao primeiro, apontou dois ferros compridos, o primeiro em “sorte gaiola”, embora as sortes tenham resultado traseiras.
Nos curtos, aproveitou as nobres qualidades do toiro, destacando-se o 2.º ferro curto. No seu segundo toiro, a atuação veio em crescendo, com pormenores de enorme valor. Destaque para o 2.º e 4.º ferros curtos, ambos de boa nota.
António Telles Filho
Teve duas atuações irregulares. No primeiro, mostrou pormenores do seu sentido de lide, embora tenha exagerado nas distâncias dos cites. Destaque para o 2.º ferro curto, de grande nota.
Frente ao último da tarde, rubricou uma atuação correta diante de um toiro que esperava no momento do ferro.
Pegas
Nas pegas, os grupos de Alcochete e do Aposento da Moita tiveram uma tarde de boas prestações.
Grupo de Forcados Amadores de Alcochete
Foram caras:
- Miguel Pargana — à 1.ª tentativa
- Vítor Marques — à 1.ª tentativa
- Miguel Direito — à 1.ª tentativa
Destaque para Miguel Pargana, pela forma como executou a pega e pela capacidade de aguentar um forte derrote no momento da reunião.
Grupo do Aposento da Moita
Foram caras:
- Luís Canto Moniz (cabo) — à 1.ª tentativa
- André Silva — à 1.ª tentativa
- António Lopes Cardoso — à 1.ª tentativa
António Lopes Cardoso encerrou a tarde com uma boa pega, bem ajudado pelo grupo.
Direção e apontamentos finais
Dirigiu a corrida com acerto o delegado técnico Tiago Tavares, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santana.
A Praça de Toiros da Moita registou uma entrada a rondar meia casa.
Foi guardado um minuto de silêncio em memória de Augusto Levezinho, pai dos empresários Ricardo e Rui Levezinho.
Antes do início da corrida, o antigo forcado Rodrigo Castelo ofereceu a partitura do pasodoble intitulado “Aposento da Moita” ao cabo do grupo.
Nota negativa
Após o intervalo, a arena não foi regada, originando uma grande poeirada na segunda parte da corrida.
Duarte Viegas