Praça cheia na comemoração dos 100 anos da Mestre Batista
15 de agosto, dia mais taurino do ano, fica neste ano de 2025 marcado no coração da afición reguengense como o dia em que a sua praça comemorou o primeiro centenário da sua existência.
100 anos contam muita história e a enchente que ontem se verificou nas bancadas da Praça de Toiros José Mestre Batista reflete merecidamente a comemoração desta tão bonita efeméride.
Destaque muito especial para a Associação Reguengos Afición, que no início desta temporada abraçou a louvável missão de devolver a grandeza que a praça da sua terra merece. Com espírito de missão, amor à sua praça, à sua terra e à tauromaquia, este grupo de cinco ex-forcados do grupo de Monsaraz conseguiu realizar significativas melhorias na praça e levar a efeito uma temporada de enorme valor, que culminou com esta corrida dos 100 anos da praça. Têm motivos de sobra para estar orgulhosos do seu trabalho e podem considerar que a sua missão foi cumprida com sucesso. Os aficionados agradeceram-lhes e encheram a praça!
Antecedeu a corrida uma procissão de velas, tendo sido inaugurada a capelinha da Praça de Toiros de Reguengos de Monsaraz. A procissão foi acompanhada pela voz do conceituado fadista Luís Caeiro e pela Sociedade Filarmónica Harmonia Reguengense.
No que à corrida propriamente dita diz respeito, lidaram-se seis toiros da ganadaria Passanha, de apresentação irrepreensível, mas no geral sem bravura condizente com o trapio que tinham. Destacou-se o quinto da ordem, que cumpriu de boa forma.
Abriu praça Miguel Moura, enfrentando-se em primeiro lugar com um toiro algo distraído, nobre, mas ao qual faltou entrega. O cavaleiro de Monforte levou a efeito uma lide de pormenores. Mostrou intenções ao tentar cravar o primeiro comprido em sorte de gaiola, mas o toiro não colaborou da melhor forma e acabou por não deixar o ferro. Começou por dar vantagens ao toiro na ferragem curta, que resultou de boa forma. Destaque para o remate das sortes, sobretudo para o do segundo curto, com o cavalo a parecer uma muleta. Terminou com a cravagem de um bom ferro de palmo, após duas passagens em falso. Em quarto lugar enfrentou-se com um toiro que não deu possibilidades de triunfo. Destaque para a forma como recebeu o toiro com um primeiro comprido em sorte de gaiola, acrescido de dificuldade por o toiro ter esperado à saída dos curros. Cravou a ferragem da ordem, mas a lide acabou por não subir para outros patamares dada a escassa disponibilidade do oponente.
Luís Rouxinol Jr. tem uma ligação especial à praça de Reguengos. Tem uma conexão muito forte com este público, que aqui o viu pela terceira vez nesta temporada! Em primeiro lugar, enfrentou-se com um toiro que não lhe deu facilidades, transmitiu, mas não se entregou à função. Acabou por ir a menos. Lide bastante correta, entendendo as características do oponente, aproveitando para deixar bons apontamentos no remate das sortes e na cravagem dos ferros. Terminou com um ferro de palmo de qualidade. Diante do quinto da ordem, cumpridor a pronto para os ferros, chegou o triunfo! Realizou uma lide extraordinária, com forte conexão com o público. O segundo curto, entrando pelo toiro dentro foi extraordinário e demonstra a vontade do cavaleiro em estar bem e triunfar. Variou as sortes, terminando a atuação com um ferro em sorte de violino e um par de bandarilhar, de frente no centro da praça, de execução soberba. Triunfo importante de Rouxinol Jr. nesta noite importante!
Completou a terna Paco Velásquez que sorteou o lote com menos opções da corrida. O terceiro revelou alguma crença nos médios, custando a sair desses terrenos. O cavaleiro cravou a ferragem da ordem com correção, sendo que pouco mais havia a fazer. Diante do último da ordem, que não facilitou e foi a menos com o evoluir da atuação, Paco Velásquez realizou uma lide irregular. Cravou um bom segundo curto, mas sofreu alguns toques nas montadas, acabando por não conseguir dar a volta ao oponente. No final, dignamente recusou dar a volta à arena, embora concedida pela direção de corrida.
As pegas da noite estiveram a cargo dos Forcados Amadores de Évora e de Monsaraz, respetivamente capitaneados por José Maria Caeiro e João Tiago Ramalho.
Pelos Amadores de Évora, abriu praça Afonso Santos, que consumou ao primeiro intento, com o grupo a ajudar coeso. João Cristóvão teve viagem rija na cara do terceiro da ordem e viu o toiro fugir ao grupo perto das tábuas, acabando por não consumar. Concretizou à segunda com muito mérito. Fechou a atuação dos forcados de Évora Henrique Burguete que viu o toiro sair com pata e realizou uma grande pega, contando com uma grande primeira ajuda.
Pelo grupo da terra, os Amadores de Monsaraz, Miguel Valadas viajou por baixo e concretizou ao primeiro intento a pega ao segundo da ordem. André Mendes sofreu um violento derrote a receber na primeira tentativa. No segundo intento faltou alguma coesão ao grupo. Acabou por consumar à terceira tentativa. Fechou a corrida o cabo do grupo, João Tiago Ramalho, que teve um enorme par de braços e aguentou uma viagem longa, concretizando uma enorme pega ao primeiro intento, que levantou o público dos assentos.
Nota de especial destaque para os brindes de cavaleiros e forcados aos Bombeiros Voluntários, cujo trabalho é de crucial importância para toda a população. Um aplauso de pé bem merecido!
Dirigiu a corrida Domingos Jeremias, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Carlos Santana e Nuno Massano no cornetim.
Tiago Correia