Crónica e Galeria da primeira da Feira da Moita.
Texto: Duarte Justino
Fotos: Maria Mil-Homens
Miguel Moura destaca-se na 1.ª da Feira da Moita ‘26
Foi no passado 15 de Setembro pelas 22H que a Monumental “Daniel do Nascimento” na Moita do Ribatejo abriu as suas portas para a primeira Corrida de Toiros da sua Feira Taurina de Setembro, a mais “importante” do panorama taurino luso.
Corrida mista com o grande aliciante da vinda a terras lusas do Matador de Toiros Alejandro Talavante, compartindo cartel com o também Matador de Toiros português Tomás Bastos, o Cavaleiro Miguel Moura e o Grupo de Forcados Amadores da Moita.
Foram lidados a cavalo, 2 Toiros da Ganadaria António Charrua que no geral deram bom jogo, de excelente apresentação, trapio e mobilidade sendo que o 1.º de altíssima nota tendo mesmo sido aplaudido pela assistência na sua recolha aos currais da praça. Nas lides apeadas foram lidados Toiros de 2 divisas, Calejo Pires (por inutilização de 2 Toiros da Ganadaria anunciada) e Tavalante.
Miguel Moura, único Cavaleiro anunciado e com responsabilidade a dobrar por abrir a Feira Taurina da Moita, esteve em grande plano.
No seu primeiro toiro, um de Charrua de exímia apresentação e trapio, 610kg de carne mas com mobilidade e tranco, Miguel cravou de saída uma ajustada Porta Gayola mostrando desde logo ao que ia!
Na série de curtos, sempre ligado com o oponente, levando a cara do toiro embebida no estribo e garupa da sua montada, Miguel ladeou de forma vistosa e arriscada, para depois em terrenos cambiados e apertados cravar o ferro! Público de pé ! Foi uma lide sem nada que se possa apontar. Risco, emoção mas muita toreria e saber !
Já no seu seu segundo Toiro, um de Charrua distraído e de meias arrancadas, de exímia apresentação mas com algumas teclas a serem “tocadas”, Miguel deixou dois bons compridos e na série de curtos ladeou de uma forma extraordinária. O Toiro embebido no estribo, tudo ao milímetro sem que oponente tocasse na montada. Ferros de boa nota, de praça a praça, abrindo o quarteio a cravar e a rematar pelos adentros.
Fechou a sua passagem e que grande passagem pela Moita com uma rosa. Miguel deve, tem e terá que estar acartelado em corridas de maior dimensão, em corridas de peso (como a em questão) e em corridas de datas importantes. É um cavaleiro que em cada Lide vai para “trincar” e apertar com quem reparte cartel!
No que ao Forcados concerne, os Amadores da Moita tiveram uma noite feliz sendo que o primeiro toiro foi pegado à segunda tentativa e o segundo ao primeiríssimo intento, fechando com chave d’ouro!
Talavante teve por diante 2 Toiros distintos, no primeiro de Calejo Pires, um toiro com uma classe imensa pelo píton esquerdo, Talavante bordou com a flanela rubra o toureio ao natural. Que pinceladas artistas plenas de toreria e sabor ! Foi uma faena de menos a mais, derechazos ajustados a terminar com passes peito !
Já no segundo se seu lote, um toiro da sua ganadaria, o Matador espanhol abreviou! Isto porque o seu oponente não tinha condições, verdade seja dita que Talavante também não o quis ver, tendo dados umas tandas por ambos os pítons ! Não se corta orelhas, não há picadores, já sabemos o que muitas vezes nos espera.
Tomás Bastos, foi com ganas de triunfar, de se arrimar e triunfar forte! Destacou-se sem sombra de dúvida. No seu primeiro, um de Talavante com classe mas com dificuldades Tomás andou discreto e aos poucos foi sacando bonitos derechazos e redondos ao seu oponente.
No segundo do seu lote, um bonito Toiro de Calejo Pires, bravo com codicia e muita classe, Tomás mostrou ao que ia ! De capote solto, mas de muleta começou a sua Faena de “rodillas en tierra” no centro da arena, o silêncio era absoluto, passes cambiados, rematando com um passe de peito! Assistência de pé! A faena foi de mais a menos por algum desgaste do seu oponente! Terminou com um série de redondos e Manoletinas ajustadissimas que fizeram o deleite do público.
Foi um bom começo da mais importante Feira Taurina de Portugal, a Feira de Setembro na Moita do Ribatejo! Hoje novamente iremos aos toiros!
Nota: Enaltecer o labor do extraordinário Bandarilheiro português, Pedro Paulino “China”, na colocação das bandarilhas, tendo o mesmo saudado de Montera em mão!