Francisco Palha, uma encerrona de Arte, Emoção e Risco
Um toureiro quando enfrenta seis toiros a solo tem sempre duas intenções: procurar um novo rumo para a sua carreira ou um ato de consolidação.
Num ato heroico, Francisco Palha procurou testar os seus limites enfrentando seis toiros da mítica ganadaria Palha.
Um desafio exigente. A corrida criara uma expetativa no meio taurino. Era a primeira vez que um cavaleiro lidava seis toiros da ganadaria a cavalo. Outros já o tinham feito a pé.
No início da corrida, foi homenageado a título póstumo o eterno maioral da ganadaria Palha, o campino Joaquim Carlos, falecido no mês de março, com a entrega de um quadro pintado por João Quintela.
Os toiros Palha estavam bem apresentados, exceção feita ao primeiro da noite de correta presença. De jogo, houve de tudo um pouco. Mansos, nobres, bravos e encastados. Destaque para os lidados em 1º, 3º e 6º lugar, de grande comportamento. O mais complicado foi lidado em 4º lugar, manso e reservado.
Da corrida, saíram para além dos 6 anunciados, mais 2 toiros. O que saiu em 2º lugar, partiu um corno, embatendo com violência nas tábuas, sendo recolhido. Segundo o RET, quando um toiro tem dois ferros cravados é considerado como lidado. O toiro lidado em 4º lugar saiu mermado de faculdades.
Não foi uma encerrona de triunfo absoluto de Francisco Palha. Aliás, o cavaleiro pratica um estilo de toureio centrado no risco, o que, por vezes, não lhe permite ter sempre uma lide consistente. É a busca deliberada pela proximidade, pela reunião intensa, capaz de arrancar ao público um arrepio de emoção. Mas essa mesma ousadia, quando não resulta, deixa uma sensação de oportunidade perdida e transformar o entusiasmo em silêncio. É aquele cavaleiro que tem um conceito que se distingue dos demais cavaleiros do escalafón.
Todas as lides, tiveram bons pormenores de toureio, mas destacar uma atuação em específico, não se consegue. Houve uma dúzia de ferros de realce, sobretudo aqueles que foram cravados na primeira parte do festejo. Esteve em plano superior.
No quarto toiro, o cavaleiro sofreu uma queda, com o cavalo e cavaleiro a viveram momentos de pânico, sem grandes consequências.
Na derradeira atuação da noite, deu tudo aquilo que tinha. A cravagem do ferro comprido em sorte de gaiola (a pedido do público) resultou emotiva e de grande poder. Os três ferros curtos que cravou ao último toiro foram de grande nota. Explorou o toiro e aproveitou as bravas e alegres qualidades que o toiro tinha. Era um toiro excecional.
Nas pegas, os grupos de Vila Franca e Alcochete tiveram algumas dificuldades na concretização das pegas. Eram toiros complicados e difíceis.
Pelo grupo de Vila Franca, pegaram Vasco Carvalho à 1 tentativa, Rafael Plácido à 2 tentativa e Miguel Faria à 5 tentativa. Este último foi pegado com as ajudas carregadas.
Pelo grupo de Alcochete, pegaram Vitor Marques e Miguel Direito à 3 tentativa e João Dinis à 1 tentativa.
No final da corrida, deu volta à arena com o ganadeiro e com o forcado. O cavaleiro foi levado em ombros por aficionados, terminando a corrida em ambiente de apoteose.
Se toda esta encerrona valeu a pena? Para quem teve a oportunidade de assistir houve um misto de sentimentos. Muitos podem dizer que valeu a pena, outros podem dizer que podia ter feito algo mais.
A primeira corrida inserida nas Festas do Barrete Verde e das Salinas registou cerca de 3/4 da sua lotação.
Dirigiu a corrida o delegado técnico Tiago Tavares, assessorado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.
Duarte Viegas