Lotação esgotada em tarde de glória dos Amadores de Montemor!
A Praça de Toiros de Montemor voltou a abrir as suas portas na tarde deste domingo, como manda a tradição, para a corrida em que o grupo da terra, os Amadores de Montemor, se encerraram em solitário, com forcados antigos e atuais fardados.
Montemor é sem dúvida terra de forcados. O público que ano após ano enche a praça na corrida do grupo traz consigo um orgulho desmedido e uma paixão acima da média pelos Forcados de Montemor. Cada brinde, cada cite, tudo é vivido como um momento solene e nesta tarde todas as pegas culminaram com sonoras ovações… as ovações da tarde!
Falando nas ovações da tarde é impossível não começar por falar na soberba cernelha levada a cabo pelo cabo do grupo, António Pena Monteiro, e por Joel Santos. Desde o saltar a trincheira, ao brinde à família de Simão Malta, à entrada empolgante com o toiro a reagir, terminando pela forma soberba como Joel Santos o rabejou, tudo o que se passou na arena foi um hino à arte… à arte de bem pegar toiros!
Nota também para o trabalho levado a cabo pelos campinos, que no final desta pega tiveram honras de volta ao ruedo. Especial destaque para João Inácio, mais conhecido por Janica, que tem uma arte inconfundível em tudo o que faz, como provam os dois quites feitos ao toiro “a corpo limpo”.
Para a pega do primeiro toiro da corrida foi escolhido o forcado Vasco Carolino. O toiro acabou por não ser pegado por ter partido um piton. Vasco voltou à praça para pegar o segundo da ordem. O toiro partiu pronto e a pega foi consumada à primeira tentativa.
José Maria Marques foi o escolhido para pegar o terceiro toiro da ordem. O toiro mediu o forcado durante todo o cite e obrigou-o a entrar nos seus terrenos. José Maria esteve muito bem com ele e concretizou a pega ao primeiro intento.
Para o quarto toiro da tarde foi escolhido o forcado Miguel Cecílio que concretizou mais uma boa pega ao primeiro intento. No final desta pega, despediu-se das arenas o forcado António Cecílio, que deu duas aplaudidas voltas à arena.
Fechou a corrida José Maria Pena Monteiro que concretizou mais uma grande pega à primeira tentativa e fechou com nota elevadíssima a brilhante encerrona do seu grupo.
Foram lidados nesta tarde seis toiros da Ganadaria Pégoras, de correta apresentação, sem exageros. Transmitiram emoção às bancadas e impuseram respeito a todos os que se lhe puseram diante. No geral, um curro bastante interessante. No final da última volta, o ganadero foi chamado à praça, a pedido do público!
João Ribeiro Telles foi autor de duas lides pautadas pela correção, com destaque para a fase inicial da ferragem curta da quarta lide da corrida.
Francisco Palha realizou uma primeira atuação em que foi procurando entender o toiro e dar-lhe a lide mais adequada. A lide foi a mais e terminou com uma série de ferros de boa nota. Diante do segundo do seu lote, a lide foi intermitente, estando o cavaleiro muito digno no final da atuação em não dar volta à arena, embora permitida pela direção de corrida.
Miguel Moura foi o autor da melhor lide da corrida ao toiro que fechou a tarde. Bordou o toureio e lidou o toiro, sendo os momentos de brega ladeada, templando ao máximo a investida do toiro, o ponto alto da sua atuação. Os remates das sortes foram também de nível elevadíssimo. Grande lide de Miguel Moura, terminada com dois ferros de palmo, o primeiro dos quais de grande efeito. Diante do primeiro do seu lote, o destaque maior vai para a emocionante sorte de gaiola com que recebeu o toiro, cravando um grande ferro e aguentando a forte investida do toiro no remate da sorte. A lide foi correta, terminando com um bom ferro de palmo, magnificamente rematado.
Uma nota de destaque novamente para o empresário José Maria Charraz pela excelente Feira Taurina que organizou (que termina hoje com uma novilhada), tendo tido a melhor resposta por parte dos aficionados.
Dirigiu a corrida António Santos, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Feliciano Reis. No cornetim esteve Nuno Massano.
Tiago Correia